O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado
Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,
Sob o chicote, trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem
As peças de teatro que se escrevem
Com cinqüenta montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários,
E a guerra cotidiana com seu gado,
Afazer de teatro, afã de gente,
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado.
( YEATS )
JEAN LEON GEROME
JEAN LEON GEROME
LIVROS RELEVANTES
- A. Soljenish: Pavilhão de Cancerosos
- Baltasar Gracián: Arte da Prudência
- Charles Baudelaire: Flores do Mal
- Emile Zola: Germinal
- Erich Fromm: Medo à Liberdade
- Fernando Pessoa: O Livro do Desassossego
- Fiódor Dostoiévski: O Eterno Marido
- Franz Kafka: O Processo
- Friedrich Nietzsche: Assim Falou Zaratustra
- Friedrich Nietzsche: Humano, demasiado humano
- Fritjof Capra: O Ponto de Mutação
- Goethe: Fausto
- Goethe: Máximas e Reflexões
- Jean Baudrillard: Cool Memories III
- John Milton: Paraíso Perdido
- Júlio Cortázar: O Jogo da Amarelinha
- Luís Vaz de Camões: Sonetos
- Mario Quintana: Poesia Completa
- Michele Perrot: As Mulheres e os Silêncios da História
- Miguel de Cervantes: Dom Quixote de La Mancha
- Philip Roth: O Anjo Agonizante
- Platão: O Banquete
- Robert Greene: As 48 Leis do Poder
- Salman Rushdie: O Chão que ela pisa
- Schopenhauer: O Mundo como Vontade e Representação
- Stendhal: Do Amor
- Sun Tsu: A Arte da Guerra
- William Faulkner: Luz em Agosto
- William Shakespeare: Hamlet
EDVARD MUNCH
JEAN PERRAULT
sexta-feira, 6 de julho de 2007
EUGÊNIO DE ANDRADE
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
(EUGÊNIO DE ANDRADE)
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
(EUGÊNIO DE ANDRADE)
FERNANDO PESSOA
Todas as cousas que há neste mundo
Têm uma história,
Excepto estas rãs que coaxam no fundo
Da minha memória.
Qualquer lugar neste mundo tem
Um onde estar,
Salvo este charco de onde me vem
Esse coaxar.
Ergue-se em mim uma lua falsa
Sobre juncais,
E o charco emerge, que o luar realça
Menos e mais.
Onde, em que vida, de que maneira
Fui o que lembro
Por este coaxar das rãs na esteira
Do que deslembro?
Nada. Um silêncio entre jucos dorme.
Coaxam ao fim
De uma alma antiga que tenho enorme
As rãs sem mim.
( FERNANDO PESSOA )
Têm uma história,
Excepto estas rãs que coaxam no fundo
Da minha memória.
Qualquer lugar neste mundo tem
Um onde estar,
Salvo este charco de onde me vem
Esse coaxar.
Ergue-se em mim uma lua falsa
Sobre juncais,
E o charco emerge, que o luar realça
Menos e mais.
Onde, em que vida, de que maneira
Fui o que lembro
Por este coaxar das rãs na esteira
Do que deslembro?
Nada. Um silêncio entre jucos dorme.
Coaxam ao fim
De uma alma antiga que tenho enorme
As rãs sem mim.
( FERNANDO PESSOA )
HERBERTO HELDER
Deito-me e amo a mulher. E amo
o amor na mulher. E na palavra, o amor.
Amo com o amor do amor,
não só a palavra, mas
cada coisa que invade cada coisa
que invade a palavra.
E penso que sou total no minuto
em que a mulher eternamente
passa a mão da mulher no gato
dentro da casa.
No mundo tão concreto.
( HERBERTO HELDER )
o amor na mulher. E na palavra, o amor.
Amo com o amor do amor,
não só a palavra, mas
cada coisa que invade cada coisa
que invade a palavra.
E penso que sou total no minuto
em que a mulher eternamente
passa a mão da mulher no gato
dentro da casa.
No mundo tão concreto.
( HERBERTO HELDER )
MARIO QUINTANA
Todos os jardins deviam ser fechados
Com altos muros de um cinza
Muito pálido, onde uma fonte
Pudesse cantar sozinha,
Entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim
Não é mesmo alguma ausência
Nem o abandono...
O que mata um jardim
É esse olhar vazio
De quem por eles passa
Indiferente.
(QUINTANA)
Com altos muros de um cinza
Muito pálido, onde uma fonte
Pudesse cantar sozinha,
Entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim
Não é mesmo alguma ausência
Nem o abandono...
O que mata um jardim
É esse olhar vazio
De quem por eles passa
Indiferente.
(QUINTANA)
HERÁCLITO ESTAVA CERTO...
Heráclito estava certo: " não se nada duas vezes no mesmo rio" - na
segunda vez as águas não mais serão as mesmas e nem será o mesmo
homem a banhar-se nelas. A frase resume toda a filosofia de Heráclito,
que acreditava que tudo é mudança, que nada permanece estável.
Apesar de já passado vários séculos, a frase só a frase não sofreu
mudança.... mas é esta a características dos conceitos:são eternos!
Mas nem sempre estamos preparados para ter um visão clara da
dialética da mudança; nosso envolvimento nos rouba a objetividade
e nos torna testemunhas deficientes... Como se estivéssemos presos
afetivamente num abismo, onde a mente teimosamente se trancou
e de onde a única saída seria a escolha do ato
"psicologicamente correto",
o ato que nos devolve a lucidez perdida.
O amor esteve sempre, e continuará sempre, entre as grandes
forças da alma humana, que as arrastam por caminhos muito diferentes
daqueles que a sabedoria imagina. Mas não se deve esquecer que os
sentimentos são desencadeados por pensamentos, e de posse de
uma nova lucidez e de um modo mais sensato de "enxergar" o outro,
pode-se tirar toda a carga afetiva que embaraça o pensar correto.
Assim como o rio, nós também somos seres em mudança e o caráter
efêmero de nossa existência sempre nos faz ir de encontro à pergunta
essencial: o que tem sentido? E a objetividade recolocada em sua
posição de comando responde: não tem sentido construirmos uma
"casa magnífica" e deixar que outros decidam sobre ela; não tem sentido
andar em círculos em volta de um abismo escuro, se podemos escolher
os campos abertos e cheios de sol; não tem sentido cantar belas
canções
para quem não está disposto a ouvir.
O grande trunfo da vida, desde que Eva providencialmente comeu aquela
famosa maçã é o nosso poder de escolha. E respeitar escolhas alheias
é um grande passo para também fazermos as nossas.
(YEDRA)
segunda vez as águas não mais serão as mesmas e nem será o mesmo
homem a banhar-se nelas. A frase resume toda a filosofia de Heráclito,
que acreditava que tudo é mudança, que nada permanece estável.
Apesar de já passado vários séculos, a frase só a frase não sofreu
mudança.... mas é esta a características dos conceitos:são eternos!
Mas nem sempre estamos preparados para ter um visão clara da
dialética da mudança; nosso envolvimento nos rouba a objetividade
e nos torna testemunhas deficientes... Como se estivéssemos presos
afetivamente num abismo, onde a mente teimosamente se trancou
e de onde a única saída seria a escolha do ato
"psicologicamente correto",
o ato que nos devolve a lucidez perdida.
O amor esteve sempre, e continuará sempre, entre as grandes
forças da alma humana, que as arrastam por caminhos muito diferentes
daqueles que a sabedoria imagina. Mas não se deve esquecer que os
sentimentos são desencadeados por pensamentos, e de posse de
uma nova lucidez e de um modo mais sensato de "enxergar" o outro,
pode-se tirar toda a carga afetiva que embaraça o pensar correto.
Assim como o rio, nós também somos seres em mudança e o caráter
efêmero de nossa existência sempre nos faz ir de encontro à pergunta
essencial: o que tem sentido? E a objetividade recolocada em sua
posição de comando responde: não tem sentido construirmos uma
"casa magnífica" e deixar que outros decidam sobre ela; não tem sentido
andar em círculos em volta de um abismo escuro, se podemos escolher
os campos abertos e cheios de sol; não tem sentido cantar belas
canções
para quem não está disposto a ouvir.
O grande trunfo da vida, desde que Eva providencialmente comeu aquela
famosa maçã é o nosso poder de escolha. E respeitar escolhas alheias
é um grande passo para também fazermos as nossas.
(YEDRA)
quinta-feira, 5 de julho de 2007
TAGORE
Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como anoite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes
douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções, em cada ninho
dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão em flores
Por todos os recantos da minha floresta.
(TAGORE)
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como anoite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes
douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções, em cada ninho
dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão em flores
Por todos os recantos da minha floresta.
(TAGORE)
VINÍCIUS DE MORAES
A minha namorada é muito culta,
sabe matemática, geografia, história.
E nunca se esquece que´é
a menina do poeta.
É doce! gosta muito de mim.
É uma cigana, é uma coisa...
Que me faz chorar na rua,
dançar no quarto,
ter vontade de me matar
e de ser presidente da República.
É boba, ela! Tudo faz,
tudo sabe, é linda.
Dêem-lhe uma espada,
constrói um reino.
Dêem-lhe um teclado,
faz uma aurora,
Dêem-lhe uma razão,
faz uma briga...!
E do pobre ser que Deus lhe deu,
eu, filho pródigo, poeta
cheio de erros
Ela fez um eterno perdido.
(VINÍCIUS DE MORAES)
sabe matemática, geografia, história.
E nunca se esquece que´é
a menina do poeta.
É doce! gosta muito de mim.
É uma cigana, é uma coisa...
Que me faz chorar na rua,
dançar no quarto,
ter vontade de me matar
e de ser presidente da República.
É boba, ela! Tudo faz,
tudo sabe, é linda.
Dêem-lhe uma espada,
constrói um reino.
Dêem-lhe um teclado,
faz uma aurora,
Dêem-lhe uma razão,
faz uma briga...!
E do pobre ser que Deus lhe deu,
eu, filho pródigo, poeta
cheio de erros
Ela fez um eterno perdido.
(VINÍCIUS DE MORAES)
VOLTA AOS TEUS DEUSES PROFUNDOS
Volta a teus deuses profundos; estão intactos,
estão ao fundo com suas chamas esperando;
nenhum sopro do tempo as apaga.
Os silenciosos deuses práticos
ocultos na porosidade das coisas.
Hás rodado no mundo,
perdeste teu nome, tua cidade,
assíduo a visões fragmentárias;
de tantas horas que reténs?
A música de ser é destoante
porém a vida continua
e certos acordes prevalecem.
A terra é redonda por desejo
de tanto gravitar;
a terra arredondará todas as coisas
cada uma a seu término.
De tantas viagens pelo mar
de tantas noites
ao pé de tua lâmpada,
só estas vozes te circundam;
decifra nelas o eco de teus deuses;
estão intactos, estão cruzando
mudos com seus olhos de peixes
ao fundo de teu sangue.
( EUGÊNIO MONTEJO )
estão ao fundo com suas chamas esperando;
nenhum sopro do tempo as apaga.
Os silenciosos deuses práticos
ocultos na porosidade das coisas.
Hás rodado no mundo,
perdeste teu nome, tua cidade,
assíduo a visões fragmentárias;
de tantas horas que reténs?
A música de ser é destoante
porém a vida continua
e certos acordes prevalecem.
A terra é redonda por desejo
de tanto gravitar;
a terra arredondará todas as coisas
cada uma a seu término.
De tantas viagens pelo mar
de tantas noites
ao pé de tua lâmpada,
só estas vozes te circundam;
decifra nelas o eco de teus deuses;
estão intactos, estão cruzando
mudos com seus olhos de peixes
ao fundo de teu sangue.
( EUGÊNIO MONTEJO )
ANTONIO CÍCERO
O que muito me confunde
É que no fundo de mim
Estou eu
No fundo sei que
Não sou sem fim
E sou feito de um mundo:
Imenso
Imerso num Universo
Que não é feito de mim.
Mas mesmo assim
É controverso
Se nos versos de um poema
Perverso sai o reverso
Disperso num tal dilema
O certo é reconhecer:
No fundo de mim...
Sou sem fundo.
(ANTÔNIO CÍCERO)
É que no fundo de mim
Estou eu
No fundo sei que
Não sou sem fim
E sou feito de um mundo:
Imenso
Imerso num Universo
Que não é feito de mim.
Mas mesmo assim
É controverso
Se nos versos de um poema
Perverso sai o reverso
Disperso num tal dilema
O certo é reconhecer:
No fundo de mim...
Sou sem fundo.
(ANTÔNIO CÍCERO)
quarta-feira, 4 de julho de 2007
MACHADO DE ASSIS
Mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas,
porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão,
que não são boas como as do topo.
Mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo
está errado com elas, quando na verdade,
eles estão errados...
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar.
Aquele que é valente bastate para escalar até o topo da árvore.
(MACHADO DE ASSIS)
As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas,
porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão,
que não são boas como as do topo.
Mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo
está errado com elas, quando na verdade,
eles estão errados...
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar.
Aquele que é valente bastate para escalar até o topo da árvore.
(MACHADO DE ASSIS)
O DIA DE DEUS
O dia de Deus é branco
sumo de semana que nunca acaba
não é memória que luz
é cegante em sua claridade
que desconforta todo nascido
O dia de Deus é duro
de matéria só de minério
pode ser porrada ou pontiagudo
o seu ingastável é prejuízo
não de tempo-lucro
O dia de Deus é burro
Carga que quebra carroça
por não suportá-lo nem persuadi-lo
depois do peso o soldo —
capim, sal e algum líquido
(JOÃO FILHO)
sumo de semana que nunca acaba
não é memória que luz
é cegante em sua claridade
que desconforta todo nascido
O dia de Deus é duro
de matéria só de minério
pode ser porrada ou pontiagudo
o seu ingastável é prejuízo
não de tempo-lucro
O dia de Deus é burro
Carga que quebra carroça
por não suportá-lo nem persuadi-lo
depois do peso o soldo —
capim, sal e algum líquido
(JOÃO FILHO)
DRUMMOND
Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.
Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.
Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.
Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.
Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.
(DRUMMOND)
Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.
Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.
Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.
Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.
(DRUMMOND)
WILLIAM BLAKE
O Amor jamais a si quer contentar,
Não tem cuidado algum como o que é seu;
Sacrifica por outro o bem-estar,
E, a despeito do Inferno, erige um Céu"
Esse era o canto de um Torrão de Terra,
Pisado pelas patas da boiada;
Mas um Seixo, nas águas do regato,
Modulava esta métrica adequada:
"O Amor somente a si quer contentar,
Atar alguém ao próprio gozo eterno;
Sorri quando o outro perde o bem-estar,
E, a despeito do Céu, ergue um Inferno.
(W. BLAKE)
Não tem cuidado algum como o que é seu;
Sacrifica por outro o bem-estar,
E, a despeito do Inferno, erige um Céu"
Esse era o canto de um Torrão de Terra,
Pisado pelas patas da boiada;
Mas um Seixo, nas águas do regato,
Modulava esta métrica adequada:
"O Amor somente a si quer contentar,
Atar alguém ao próprio gozo eterno;
Sorri quando o outro perde o bem-estar,
E, a despeito do Céu, ergue um Inferno.
(W. BLAKE)
VINÍCIUS DE MORAES
Uma mulher me ama. Se eu me fosse
Talvez ela sentisse o desalento
Da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce
Na sua tarde em flor. Uma mulher
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.
Uma mulher me ama. Quando o escuro
Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos
E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.
(VINÍCIUS DE MORAES)
Talvez ela sentisse o desalento
Da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce
Na sua tarde em flor. Uma mulher
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.
Uma mulher me ama. Quando o escuro
Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos
E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.
(VINÍCIUS DE MORAES)
HILDA HILST
Ama-me. É tempo ainda.
Interroga-me, e eu te direi
Que nosso tempo é agora.
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho
Que elabora há tanto tempo
Sua própria tessitura.
Ama-se. Embora eu te pareça
Demasiado intensa.
E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.
(HILDA HILST)
Interroga-me, e eu te direi
Que nosso tempo é agora.
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho
Que elabora há tanto tempo
Sua própria tessitura.
Ama-se. Embora eu te pareça
Demasiado intensa.
E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.
(HILDA HILST)
ESSENCIALMENTE OS MESMOS
As pessoas são essencialmente parecidas no que se
refere às coisas do coração. Certas maneiras de sentir
são atávicas. Por isso a maior parte da produção
literária bem sucedida é a que consegue dar voz ao
que sentimos. Os personagens fictícios conseguem
desenterrar nossas lembranças reais e também
lançar luz às nossas experiências. A poesia, por
outro lado, consegue com maior intensidade ainda,
atingir a nossa alma, fazendo as palavras que
dançam com um ritmo cadenciado, ecoarem fundo
em nossa sensibilidade. " A poesia ferve as coisas até
à essência"; e um poema cumpre essa finalidade
quando nos coloca em sintonia com nossa voz
interior.
(YEDRA)
refere às coisas do coração. Certas maneiras de sentir
são atávicas. Por isso a maior parte da produção
literária bem sucedida é a que consegue dar voz ao
que sentimos. Os personagens fictícios conseguem
desenterrar nossas lembranças reais e também
lançar luz às nossas experiências. A poesia, por
outro lado, consegue com maior intensidade ainda,
atingir a nossa alma, fazendo as palavras que
dançam com um ritmo cadenciado, ecoarem fundo
em nossa sensibilidade. " A poesia ferve as coisas até
à essência"; e um poema cumpre essa finalidade
quando nos coloca em sintonia com nossa voz
interior.
(YEDRA)
terça-feira, 3 de julho de 2007
T.S.ELIOT
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.
(T.S.ELIOT)
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.
(T.S.ELIOT)
ALBERTO CAEIRO
Antes o vôo da ave,
Que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal,
Que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece,
E assim deve ser.
O animal, onde já não está,
E por isso e nada serve,
Mostra que já esteve,
O que não serve pra nada.
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem
Não é Natureza.
O que foi não é nada,
E lembrar é não ver.
Passa, ave, passa,
E ensina-me a passar!
(ALBERTO CAEIRO)
Que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal,
Que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece,
E assim deve ser.
O animal, onde já não está,
E por isso e nada serve,
Mostra que já esteve,
O que não serve pra nada.
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem
Não é Natureza.
O que foi não é nada,
E lembrar é não ver.
Passa, ave, passa,
E ensina-me a passar!
(ALBERTO CAEIRO)
SHAKESPEARE
Quando eu morrer não chores mais por mim
Do que hás de ouvir triste sino a dobrar
Dizendo para o mundo que eu fugi enfim
Do mundo vil pra com os vermes morar.
E nem relembres, se estes versos leres,
A mão que os escreveu, pois te amo tanto
Que prefiro ver de mim te esqueceres
Do que lembrar-me te levar ao pranto.
Se leres estas linhas, eu proclamo,
Quando eu, talvez, ao pó tenha voltado,
Nem tentes relembrar como me chamo:
Que fique o amor, como a vida, acabado.
Para que o sábio, olhando tua dor,
Do amor não ria, depois que eu me for.
(SHAKESPEARE)
Do que hás de ouvir triste sino a dobrar
Dizendo para o mundo que eu fugi enfim
Do mundo vil pra com os vermes morar.
E nem relembres, se estes versos leres,
A mão que os escreveu, pois te amo tanto
Que prefiro ver de mim te esqueceres
Do que lembrar-me te levar ao pranto.
Se leres estas linhas, eu proclamo,
Quando eu, talvez, ao pó tenha voltado,
Nem tentes relembrar como me chamo:
Que fique o amor, como a vida, acabado.
Para que o sábio, olhando tua dor,
Do amor não ria, depois que eu me for.
(SHAKESPEARE)
DRUMMOND
Não ensaies demais
As tuas vítimas
Ó amor, deixa em paz
Os namorados
Eles guardam em si,
Coral sem ritmo,
Os infernos futuros
E passados.
(DRUMMOND)
As tuas vítimas
Ó amor, deixa em paz
Os namorados
Eles guardam em si,
Coral sem ritmo,
Os infernos futuros
E passados.
(DRUMMOND)
FABRÍCIO CARPINEJAR
O amor é insaciável. Quanto mais obtém
mais quer. Diferente da amizade, que não
aposta tão alto. A amizade larga a roleta em
um único lance. O amor não. O amor se
endivida até pedir falência.
O amor tem uma forma obscena, pois
devora a própria memória se necessário,
devora a própria imaginação se preciso.
O amor que permanece é aquele que não
sei como começou... é mais difícil virar a
página de um velho livro.
(CARPINEJAR)
mais quer. Diferente da amizade, que não
aposta tão alto. A amizade larga a roleta em
um único lance. O amor não. O amor se
endivida até pedir falência.
O amor tem uma forma obscena, pois
devora a própria memória se necessário,
devora a própria imaginação se preciso.
O amor que permanece é aquele que não
sei como começou... é mais difícil virar a
página de um velho livro.
(CARPINEJAR)
segunda-feira, 2 de julho de 2007
DRUMMOND
DECLARAÇÃO DE AMOR
Minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu
pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peônia.
Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão.
Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor.
Floramarílis. Floranêmona. Florazálea. Clematite minha.
Catléia delfínio estrelítzia. Minha hortensegerânea. Ah, meu
nenúfar. Rododendro e crisântemo e junquilho meus. Meu
ciclâmen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha.
Daliabegônia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas.Viole-
ta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo-
pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão
de minha morte.
(DRUMMOND)
Minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu
pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peônia.
Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão.
Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor.
Floramarílis. Floranêmona. Florazálea. Clematite minha.
Catléia delfínio estrelítzia. Minha hortensegerânea. Ah, meu
nenúfar. Rododendro e crisântemo e junquilho meus. Meu
ciclâmen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha.
Daliabegônia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas.Viole-
ta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo-
pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão
de minha morte.
(DRUMMOND)
PAULO LEMINSKI
Quem dera eu fosse um músico
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes ,
a dança alegórica
entre as vogais e as
consoantes!
(PAULO LEMINSKI)
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes ,
a dança alegórica
entre as vogais e as
consoantes!
(PAULO LEMINSKI)
JOSÉ SARAMAGO
Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?
(JOSÉ SARAMAGO)
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?
(JOSÉ SARAMAGO)
PABLO NERUDA
Os dias não se descartam nem se somam, são abelhas
que arderam de doçura ou enfureceram
o aguilhão: o certame continua,
vão e vêm as viagens do mel à dor.
Não, não se desfia a rede dos anos: não hà rede.
não caem gota a gota de um rio: não há rio.
O sonho não divide a vida em duas metades,
nem a ação, nem o silêncio, nem a virtude:
a vida foi como uma pedra, um só movimento,
uma única fogueira que reverberou na folhagem,
uma flecha, uma só, lenta ou ativa, um metal
que subiu e desceu queimando em teus ossos.
(NERUDA)
que arderam de doçura ou enfureceram
o aguilhão: o certame continua,
vão e vêm as viagens do mel à dor.
Não, não se desfia a rede dos anos: não hà rede.
não caem gota a gota de um rio: não há rio.
O sonho não divide a vida em duas metades,
nem a ação, nem o silêncio, nem a virtude:
a vida foi como uma pedra, um só movimento,
uma única fogueira que reverberou na folhagem,
uma flecha, uma só, lenta ou ativa, um metal
que subiu e desceu queimando em teus ossos.
(NERUDA)
JORGE LUÍS BORGES
O Nosso
Amamos o que não conhecemos, o já perdido.
O bairro que já foi arredores
Os antigos que não nos decepcionaram mais
porque são mito e esplendor.
Os seis volumes de Schopenhauer que jamais terminamos de ler.
A saudade, não a leitura, da segunda parte do Quixote.
O oriente que, na verdade, não existe para o afegão, o persa ou o tártaro.
Os mais velhos com quem não conseguiríamos
conversar durante um quarto de hora.
As mutantes formas da memória, que está feita do esquecido.
Os idiomas que mal deciframos.
Um ou outro verso latino ou saxão que não é mais do que um hábito.
Os amigos que não podem faltar porque já morreram.
O ilimitado nome de Shakespeare.
A mulher que está a nosso lado e que é tão diversa.
O xadrez e a álgebra, que não sei.
(JORGE LUÍS BORGES)
Amamos o que não conhecemos, o já perdido.
O bairro que já foi arredores
Os antigos que não nos decepcionaram mais
porque são mito e esplendor.
Os seis volumes de Schopenhauer que jamais terminamos de ler.
A saudade, não a leitura, da segunda parte do Quixote.
O oriente que, na verdade, não existe para o afegão, o persa ou o tártaro.
Os mais velhos com quem não conseguiríamos
conversar durante um quarto de hora.
As mutantes formas da memória, que está feita do esquecido.
Os idiomas que mal deciframos.
Um ou outro verso latino ou saxão que não é mais do que um hábito.
Os amigos que não podem faltar porque já morreram.
O ilimitado nome de Shakespeare.
A mulher que está a nosso lado e que é tão diversa.
O xadrez e a álgebra, que não sei.
(JORGE LUÍS BORGES)
MÁRIO DE ANDRADE
Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.
(MÁRIO DE ANDRADE)
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.
(MÁRIO DE ANDRADE)
WILLIAM ERNEST HENLEY
Do fundo da noite que me envolve
Escura como o inferno de ponta a ponta
Agradeço a qualquer Deus que seja
Pela minha alma inconquistável
Nas garras dos destino
Eu não vacilei nem chorei
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta
Além deste lugar tenebroso
Só se percebe o horror das trevas
E ainda assim, o tempo,
Encontra, e há de encontrar-me, destemido
Não importa quão estreito o portão
Nem quão pesado os ensinamentos
Eu sou o mestre do meu destino
Eu sou o comandante da minha alma
(WILLIAM E. HENLEY)
Escura como o inferno de ponta a ponta
Agradeço a qualquer Deus que seja
Pela minha alma inconquistável
Nas garras dos destino
Eu não vacilei nem chorei
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta
Além deste lugar tenebroso
Só se percebe o horror das trevas
E ainda assim, o tempo,
Encontra, e há de encontrar-me, destemido
Não importa quão estreito o portão
Nem quão pesado os ensinamentos
Eu sou o mestre do meu destino
Eu sou o comandante da minha alma
(WILLIAM E. HENLEY)
VINÍCIUS DE MORAES
Oh, partir pela noite enluarada
No puro anseio de chegar lá onde
A minha doce e fugitiva amada
Na madrugada, trêmula, se esconde...
Oh, sentir palpitar em cada fronte
O amor, oculto; e ouvir a voz velada
Da última estrela que do céu responde
Numa cintilação inesperada...
Oh, cruzar solidões, viver soturnas
Magias, e entre lágrimas noturnas
Ver o tempo passar, hora por hora
Para o instante em que, isenta de desejo
Ela despertará sob o meu beijo
Enquanto a treva se desfaz lá fora...
(Vínícius de Moraes)
No puro anseio de chegar lá onde
A minha doce e fugitiva amada
Na madrugada, trêmula, se esconde...
Oh, sentir palpitar em cada fronte
O amor, oculto; e ouvir a voz velada
Da última estrela que do céu responde
Numa cintilação inesperada...
Oh, cruzar solidões, viver soturnas
Magias, e entre lágrimas noturnas
Ver o tempo passar, hora por hora
Para o instante em que, isenta de desejo
Ela despertará sob o meu beijo
Enquanto a treva se desfaz lá fora...
(Vínícius de Moraes)
ANTONIO CÍCERO
Guardar uma coisa não é
escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda
coisa alguma.
Em cofre perde-se
a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la,
fitá-la, mirá-la por admirá-la,
isto é, iluminá-la
ou ser por ela iluminado.
Por isso melhor se guarda
o vôo de um pássaro
do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz,
por isso se declama um poema:
para guardá-lo: para que ele,
por sua vez,
guarde o que guarda.
( Antônio Cícero)
escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda
coisa alguma.
Em cofre perde-se
a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la,
fitá-la, mirá-la por admirá-la,
isto é, iluminá-la
ou ser por ela iluminado.
Por isso melhor se guarda
o vôo de um pássaro
do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz,
por isso se declama um poema:
para guardá-lo: para que ele,
por sua vez,
guarde o que guarda.
( Antônio Cícero)
BATASAR GRACIÁN
Está em seu poder fixar o seu próprio preço.
A maneira como você se comporta reflete o que
você pensa de si mesmo. Enfatize suas ações,
agindo sempre com dignidade, não importa as
circunstâncias. Não se deve confundir atitude
aristocrática com arrogância. A arrogância na
verdade revela insegurança. A dignidade por outro
lado é a máscara que se deve assumir em situações
difíceis. É uma atitude extremamente poderosa."
(BALTASAR GRACIÁN)
A maneira como você se comporta reflete o que
você pensa de si mesmo. Enfatize suas ações,
agindo sempre com dignidade, não importa as
circunstâncias. Não se deve confundir atitude
aristocrática com arrogância. A arrogância na
verdade revela insegurança. A dignidade por outro
lado é a máscara que se deve assumir em situações
difíceis. É uma atitude extremamente poderosa."
(BALTASAR GRACIÁN)
domingo, 1 de julho de 2007
FERNANDO PESSOA
Entre o sono e o sonho,
entre mim e o que em mim
É o quem me suponho
Corre um rio sem fim
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
(FERNANDO PESSOA)
entre mim e o que em mim
É o quem me suponho
Corre um rio sem fim
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
(FERNANDO PESSOA)
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