Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor-
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
( ALBERTO CAEIRO )
JEAN LEON GEROME
JEAN LEON GEROME
LIVROS RELEVANTES
- A. Soljenish: Pavilhão de Cancerosos
- Baltasar Gracián: Arte da Prudência
- Charles Baudelaire: Flores do Mal
- Emile Zola: Germinal
- Erich Fromm: Medo à Liberdade
- Fernando Pessoa: O Livro do Desassossego
- Fiódor Dostoiévski: O Eterno Marido
- Franz Kafka: O Processo
- Friedrich Nietzsche: Assim Falou Zaratustra
- Friedrich Nietzsche: Humano, demasiado humano
- Fritjof Capra: O Ponto de Mutação
- Goethe: Fausto
- Goethe: Máximas e Reflexões
- Jean Baudrillard: Cool Memories III
- John Milton: Paraíso Perdido
- Júlio Cortázar: O Jogo da Amarelinha
- Luís Vaz de Camões: Sonetos
- Mario Quintana: Poesia Completa
- Michele Perrot: As Mulheres e os Silêncios da História
- Miguel de Cervantes: Dom Quixote de La Mancha
- Philip Roth: O Anjo Agonizante
- Platão: O Banquete
- Robert Greene: As 48 Leis do Poder
- Salman Rushdie: O Chão que ela pisa
- Schopenhauer: O Mundo como Vontade e Representação
- Stendhal: Do Amor
- Sun Tsu: A Arte da Guerra
- William Faulkner: Luz em Agosto
- William Shakespeare: Hamlet
EDVARD MUNCH
JEAN PERRAULT
terça-feira, 27 de novembro de 2007
OSCAR WILDE
Disse que dançaria comigo se eu
lhe trouxesse rosas vermelhas.
Mas em todo o meu jardim
não há uma sequer.
Ah! a felicidade depende
de coisas tão pequenas!
Li tudo o que escreveram os sábios,
detenho todos os segredos da filosofia
E, no entanto, devido à falta
duma rosa vermelha,
minha vida torna-se desventurada.
OSCAR WILDE
lhe trouxesse rosas vermelhas.
Mas em todo o meu jardim
não há uma sequer.
Ah! a felicidade depende
de coisas tão pequenas!
Li tudo o que escreveram os sábios,
detenho todos os segredos da filosofia
E, no entanto, devido à falta
duma rosa vermelha,
minha vida torna-se desventurada.
OSCAR WILDE
MARIO QUINTANA
Triste encanto das tardes borralheiras
Que enchem de cinza o coração da gente!
A tarde lembra um passarinho doente
A pipilar os pingos das goteiras...
A tarde pobre fica, horas inteiras,
A espiar pelas vidraças, tristemente,
O crepitar das brasas na lareira...
Meu Deus... o frio que a pobrezinha sente!
Por que é que esses Arcanjos neurastênicos
Só usam névoa em seus efeitos cênicos?
Nenhum azul para te distraíres...
Ah, se eu pudesse, tardezinha pobre,
Eu pintava trezentos arco-íris
Nesse tristonho céu que nos encobre!...
MARIO QUINTANA
Que enchem de cinza o coração da gente!
A tarde lembra um passarinho doente
A pipilar os pingos das goteiras...
A tarde pobre fica, horas inteiras,
A espiar pelas vidraças, tristemente,
O crepitar das brasas na lareira...
Meu Deus... o frio que a pobrezinha sente!
Por que é que esses Arcanjos neurastênicos
Só usam névoa em seus efeitos cênicos?
Nenhum azul para te distraíres...
Ah, se eu pudesse, tardezinha pobre,
Eu pintava trezentos arco-íris
Nesse tristonho céu que nos encobre!...
MARIO QUINTANA
ÁLVARES DE AZEVEDO
Anjos do Céu
As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d'escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham- e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?
(Álvares de Azevedo)
As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d'escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham- e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?
(Álvares de Azevedo)
ANTONIO BRASILEIRO
A vida é a contemplação daquela nuvem.
E o mundo
uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem
passando.
E uma nuvem passando
ensina-nos mais coisas que cem pássaros
mil livros um milhão de homens.
A vida é a contemplação daquela nuvem.
E o mundo
uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem.
Passando.
(ANTONIO BRASILEIRO)
E o mundo
uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem
passando.
E uma nuvem passando
ensina-nos mais coisas que cem pássaros
mil livros um milhão de homens.
A vida é a contemplação daquela nuvem.
E o mundo
uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem.
Passando.
(ANTONIO BRASILEIRO)
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
CECÍLIA MEIRELLES
... Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo ...
CECÍLIA MEIRELLES
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo ...
CECÍLIA MEIRELLES
ELSE SANT'ANNA BRUM
Se tu pudesses, mar, se tu pudesses
Levar-me contigo para onde vais,
Sem em tuas ondas me quisesses,
Eu iria pra não voltar jamais!
Penso que além de ti, na solidão,
Haverá refrigério para a alma,
E este meu triste e pobre coração
Terá um pouco de alegria e calma.
Porque talvez, além de ti, ó mar,
Não exista ninguém aqui da terra
Nem possibilidade de amar.
Leva-me, é o que te peço em minhas preces
Pois uma triste história a minha vida encerra.
Levar-me, ó mar amigo, se pudesses!
Else Sant’Anna Brum
Levar-me contigo para onde vais,
Sem em tuas ondas me quisesses,
Eu iria pra não voltar jamais!
Penso que além de ti, na solidão,
Haverá refrigério para a alma,
E este meu triste e pobre coração
Terá um pouco de alegria e calma.
Porque talvez, além de ti, ó mar,
Não exista ninguém aqui da terra
Nem possibilidade de amar.
Leva-me, é o que te peço em minhas preces
Pois uma triste história a minha vida encerra.
Levar-me, ó mar amigo, se pudesses!
Else Sant’Anna Brum
CHRISTOPHER MARLOWE
A própria Natureza, ao nos forjar
De seus quatro elementos, que disputam
Em nosso peito pela primazia,
Ensina-nos às mentes a sonhar:
Nossas almas, capazes de entrever
Do mundo a fabulosa arquitetura,
E de medir o curso dos planetas,
Em busca de um saber que é infinito,
Inquietas, como a dança das esferas,
Exigem que lutemos, sem descanso,
Até atingir o fruto mais perfeito -
Felicidade única e sem jaça -
O gozo do poder aqui na Terra.
(CHRISTOPHER MARLOWE)
De seus quatro elementos, que disputam
Em nosso peito pela primazia,
Ensina-nos às mentes a sonhar:
Nossas almas, capazes de entrever
Do mundo a fabulosa arquitetura,
E de medir o curso dos planetas,
Em busca de um saber que é infinito,
Inquietas, como a dança das esferas,
Exigem que lutemos, sem descanso,
Até atingir o fruto mais perfeito -
Felicidade única e sem jaça -
O gozo do poder aqui na Terra.
(CHRISTOPHER MARLOWE)
GARCIA LORCA
Não poderei queixar-me
Se não encontrei o que buscava.
Porém irei na primeira paisagem
De umidades e latejos
Para entender que o que busco
Terá seu momento de alegria
Quando eu retorne mesclado
Com o amor e as areias.
(GARCIA LORCA)
Se não encontrei o que buscava.
Porém irei na primeira paisagem
De umidades e latejos
Para entender que o que busco
Terá seu momento de alegria
Quando eu retorne mesclado
Com o amor e as areias.
(GARCIA LORCA)
JOÃO COSTA FILHO
Deixa que o mundo
se exploda,
que tuas narinas
exalem fogo,
que o fígado sofra cirroses.
Deixa que a terra trema,
que o mar balance
em ninar,
que teu coração chore
montanhas.
Deixa tuas metáforas
rubras de silêncio
e os segredos só teus.
Deixa a dor dormir
em teu peito
e não traduzas no rosto
tua agonia.
Pisa a terra fria,
bem em cima de tuas mágoas,
e cala, sempre cala.
Se tua dor a ninguém pertence...
JOÃO COSTA FILHO
se exploda,
que tuas narinas
exalem fogo,
que o fígado sofra cirroses.
Deixa que a terra trema,
que o mar balance
em ninar,
que teu coração chore
montanhas.
Deixa tuas metáforas
rubras de silêncio
e os segredos só teus.
Deixa a dor dormir
em teu peito
e não traduzas no rosto
tua agonia.
Pisa a terra fria,
bem em cima de tuas mágoas,
e cala, sempre cala.
Se tua dor a ninguém pertence...
JOÃO COSTA FILHO
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